segunda-feira, 30 de março de 2009

Bendita Cegonha

Obedecendo o princípio maior do Blog, que gira em torno de uma troca de experiências das pessoas, pela primeira vez publicaremos o depoimento de um leitor do Blog...

De forma que segue.

André.

Bendita Cegonha

Caros convivas, para mim é um prazer inenarrável, colocar breves palavras nesse egrégio blog.

Tentarei ser o mais sucinto possível sem deixar perder a idéia principal.

Bom, quem não gosta de um assaz aprazível Happy Hour (vulgo cachaçada maluca), conversar amenidades e ter seu momento de descontração?!
Eu também sou assim, tudo bem, ainda que acabe acarretando sérios problemas com a minha faculdade, mas isso não vem ao caso agora.
Acontece que ontem tive uma experiência singular e vou discorrê-la para os amigos aqui presentes.

Quem nunca ouviu os pais, a TV (sim, a TV fala muita merda), sua tia, o pipoqueiro ou até mesmo uma criança ruiva com o nariz escorrendo proferirem a seguinte frase: “Você veio em uma cegonha.”
Tá, ok. Não vou questionar nada aqui, cada um tem o direito de ir e vir em qualquer coisa que seja, desde uma jangada feita com madeiras de sequóia da região central da Nigéria ou uma cegonha com um bico morfético e uma fralda branca que esconde a sua bunda.

Fato é que ontem, posteriormente ao Happy, a propósito preciso dizer isso aqui: Não volto mais no Bar Brahma na saudosa Ipiranga com a São João, mais conhecido como bar do ‘espeta’. Uma vez tive a oportunidade de ir a um restaurante em Bordeaux e desfrutar de diversos pratos, quais sejam, queijo brie com azeitonas macedônicas ao molho de lula gripada, risoto de ganso manco, vinhos da safra de 1852 e não gastei tanto quanto nesse bendito Bar Brahma, enfim.Mais tarde fui desfrutar de um recinto o qual me agrada muito, para tomar cerveja e ouvir músicas da melhor qualidade.
E desde o início pensando como eu iria voltar para casa, visto que estou na fase de universitário falido, sem carro, dinheiro enxuto e todas as maravilhas mais que só essa época nos proporciona. Mas também, não estava me preocupando muito, se um dia lá atrás, supostamente em fui para casa de cegonha, hoje com 22 anos eu me viro.

Curti a noite, dei risada, tomei “minhas cachaça” e fiz umas piadas. Nossa, espera, preciso contar um lance aqui. Imagino que vocês já devem ter visto aquele adereço que as gurias estão colocando no pescoço que eu acho até style, sério mesmo, o famoso lenço da palestina.
Mas meu, tinha uma guria com isso no pescoço, só que ela realmente era desprovida de muita beleza e o efeito acabou sendo o inverso, eu achei que estivesse frente a um integrante do Hamas. Agora fudeu, fudeu, fudeu, não tem jeito, to fudido. Aí eu olhava para ela para reparar e ela ficava me olhando com aquela cara de..de sei lá, parecia uma receita de vatapá e eu comecei a crer que ela devia ter alguma ligação com os colegas de Gaza. Para minha sorte chegou um cara, que devia ter tomado no mínimo quatro doses de Steinhaeger, duas de Absinto, sete de canelinha e uma aspirina de café e deleitou-se nos braços de nossa amiga do Grupo de Resistência Islâmica.
Bom, eis que chega a hora de ir embora.
Estávamos eu, um amigo e uma amiga.
Na saída eu queria comprar um dog, mas tinha apenas a pífia quantia de R$ 2,00 e o dog era mais de R$ 4,00, pois a salsicha era proveniente de Viena.

Mas voltando a situação “ir embora”, nossa amiga disse, eu levo vocês até algum lugar mais próximo da casa do Recoba, vulgo Bruno, vulgo o amigo da frase acima.

Aí sim, agora tá fera. Demorou!
Bruno diz: Ah, então beleza. Podemos ficar ali antes de entrar na Anchieta, perto do Motel Faraós (tudo bem, tá estranho, mas foi assim. Sejamos fiéis aos fatos).

Dessa forma tocamos o veículo automotor pelas ruas escuras, fétidas e mal cuidadas de nossa querida Sampa City, quando em meio a um barulho que não era conversa chegamos à frase: Então, cá estamos! Sim, cá estamos mesmo, há uns 357 Km do local dito inicialmente, mas tudo bem, não podemos abusar, afinal são 3 horas da manhã e podemos caminhar tranquilamente pela Avenida do Estado até nossas casas (vulgo uma romaria até a Aparecida do Norte). Agradecemos nossa amiga e fomos andando como uma criança de 3 anos no meio de uma tourada espanhola.

Queríamos pedir um táxi, mas estávamos sem grana na hora e os bancos estavam fechados. Então decidimos parar em uma loja de conveniência, para comer algo e pensar melhor sobre como faríamos para terminar a noite em nossas casas, de banho tomado e prontos para acordar em 2 horas (tendo em vista o dia de trabalho que se seguiria). Na loja de conveniência não tinha salgados e o atendente era mão na grama, ou seja, escasso de masculinidade. É, mão na grama, belisca azulejo, caga pra dentro, essas coisas. Nada contra, mas já tinha acontecido tanta coisa naquela noite que tudo era engraçado (mas só depois que passa, na hora não é nada engraçado).

Precisávamos ir embora, sem salgados, sem dinheiro e com uma perspectiva igual ou inferior a zero. Eis que nessa hora Deus envia uma pessoa que pergunta: “Ô, como eu faço para pegar a Anchieta.”
Juro, nessa hora minha cabeça teve seu “momento dadaísmo” e fervilhou com as seguintes palavras todas misturadas como sovaco em Carnaval – carona, noite, cama, cansado, veículo, Anchieta, fome, sorte, fera, impossível, casa.

E então o Bruno disse: “Bom, estamos indo para lá, se você puder dar uma carona para nós...”

E o filho de Deus aceitou para alegria geral da nação.

E assim pegamos a melhor carona da nossa vida, com um tiozinho feríssimo que dirigia uma cegonheira. Nessa hora percebi que precisei de 22 anos para colocar em xeque a história, acho que lá atrás alguém deve ter passado alguma situação similar a nossa e voltou para casa de cegonha.

Eu curti tanto o passeio, que ainda pedi um cigarro para o tiozinho, pois o meu tinha acabado, assim fomos embora tomando um vento no rosto, braço pra fora, conversando amenidades e desfrutando de um Derby vermelho até nosso destino (vulgo Motel Faraós) e rumamos para nossas respectivas casas.

Tio, se algum dia você ler esse texto, saiba que é em sua homenagem.
Agora eu dou mais crédito às frases e histórias de pessoas com mais experiência que eu.
A próxima história que quero descobrir é se tomar manga com leite mata. Se eu morrer, peço para alguém postar a epopéia.

Autoria de Leonardo Mundim.


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