terça-feira, 24 de março de 2009

E o Cliente nunca tem razão

Caro Leitor (ou coviva, se este for o caso),

Gostaria de deixar bem clara uma coisa, antes de começar a escrever mais este "De paletó no verão": Saibam que este blog é de todos, sendo assim, sintam-se à vontade para nos mandar seus próprios textos, ok?

Agora vamos parar com essa balela toda e começar a fazer algo útil, não é mesmo?

Então, como já dizia o ditado: "O cliente nunca tem razão"

Neste último domingo esqueci o aniversário da minha chefe; esqueci totalmente, a ponto de me sentir tão mal no dia seguinte (já que ela é minha chefe e minha amiga) que além de ficar com aquele peso horrível na consciência (parecia que havia roubado um vendedor de balões de gás hélio - aqueles de porta de churrascaria), passei o dia todo acreditando veementemente que ela estava tão desapontada com minha desatenção que perderia todo o respeito que havia conquistado até então...

Sei que nem todo mundo sente essa culpa toda, mas de fato sinto, ainda mais quando você se dá conta de que nenhuma das pessoas que a cercam naquele recinto de labuta esqueceram, só o estagiário (vulgo, eu), que de acordo com alguns (obviamente que brincalhões insensatos rindo da desgraça alheia), deveria ligar para todos os companheiros de trabalho e organizar uma festa surpresa (Muito Obrigado!)...

O bom é que surgiu uma oportunidade ótima para que eu me redimisse... um almoço para comemorar a especial data.

Ótimo! Lógico que vou comparecer... afinal, errar uma vez tudo bem, insistir no erro é burrice (isso não significa que me considere inteligente, já que sou autor de repetidos erros, mas dessa vez o nível de estupidez seria incrédulo... Eu seria um jumento manco e estrábico), mas enfim, resolvi ao menos, presenteá-la com a minha presença (UAU!!).

O lugar escolhido era um tradicional restaurante árabe, localizado entre edifícios de arquitetura neoclássica, aqui no centro de São Paulo. Das vezes que freqüentei o referido para a tão desejada refeição do meio-dia, devo admitir que fui bem atendido, entretanto, algo estava errado...

Pela primeira vez não encontramos óbices que nos impedissem de localizar uma boa posição no restaurante; geralmente repousamos nossos traseiros loucos por comida árabe em lugares de maior exposição à fumaça de cigarros, entretanto, tudo estava ótimo.

Foi então que vi a figura... e desconfiei ser aquele o problema.

O garçom... Vamos chamá-lo de Dinei, certo?

Dinei, no auge de seus 40 anos, nos abordou da seguinte forma: "Rodízio para todo mundo, né?" – Não num tom de brincadeira, mas impondo uma situação...

Duas das pessoas que estavam com o pessoal queriam pedir um prato individual, já que para elas não compensava aderir ao plano "Rodízio" (sim, isso foi irônico... estou comparando ao atendimento das companhias de celular, que é uma porcaria), entretanto, o nosso amigo Dinei, no ápice de sua arrogância, sugeriu que as duas pessoas se separassem da mesa...

Genial!

Não é nem preciso se concentrar para imaginar o constrangimento da cena. Uma pessoa convida você e um grupo de pessoas para comemorar seu aniversário, ficam todos na mesma mesa, menos você e uma amiga que optaram por outro prato (seria como ir em um almoço de família e sentar no sofá, enquanto todos estivessem na mesa)...

Situação no mínimo ridícula...

Penso que o garçom esperava que fôssemos passar, de forma criminosa, esfihas e kibes para nossos colegas; por favor!

Lembrei na hora que estava almoçando com advogados quando chamaram o gerente. Veio um senhor com ar de desculpas (O cara parecia mais um mordomo), mas que também não aceitou nosso pedido, com a desculpa cansada de que eram normas da casa (Ah... vamos lá, o que custa?!?!). Eles realmente achavam que atos de bandidagem seriam praticados (isso por que estavam todos de terno).

No final fizemos o que eles queriam, mas prometemos não voltar. O gerente argumentava inutilmente para que mudássemos nossa decisão (Como se fôssemos imbecis que aceitassem a idéia de ser taxados de pilantras).

Um dos advogados que estava comigo proferiu as seguintes palavras (achei espetacular):

- Ei, o senhor já me tirou do sério... agora... permita que eu aproveite minha última refeição aqui. Depois se quiser me mande um e-mail!

Infelizmente, no Brasil as pessoas são preparadas para deduzir que todos são “malandros” buscando, a todo tempo, um jeitinho de aplicar um golpe.

Os velhos ditados precisam ser reformulados para os tempos de hoje. “O Cliente nunca tem razão” seria a nova versão

Detalhe: Não pagamos o serviço.

9 comentários:

  1. Muito bom subalterno. Excelente descrição dos fatos.
    Apenas um lembrete: com a entrada em vigor da nova regra ortográfica da língua portuguesa, o acento agudo nos ditongos abertos das palavras paroxítonas foi eliminado, portanto, nas próximas vezes escreva ideia.
    Pisa, meu fã...
    Abraço,
    Um de seus 750 superiores.

    ResponderExcluir
  2. Mais uma vez, genial!

    "o garçom esperava que fôssemos passar, de forma criminosa, esfihas e kibes para nossos colegas;" - Genial! uhauhahuahuauh

    E rumo ao sucesso!

    Abraços,

    Sergio Filho

    ResponderExcluir
  3. Benzinho... quase chorei!!!! kkkkkk
    Está desculpado...rs...mas prometa que não terá próxima vez!
    Bjim

    ResponderExcluir
  4. Ótimo texto, ainda mais pela recordação desta situação um tanto quanto hilária na qual este caro advogado (diga-se de passagem sem "papas na língua") mais uma vez nos proporcionou risos ao fazer seus comentários, para alguns não pertinentes no momento de proferidos, engraçados!

    abraços

    ResponderExcluir
  5. Traseiros loucos por comida? Isso eh uma nova forma de se comer ou uma tradição árabe da qual eu desconheço, ou um simples erro de português (omissão da vígula)??

    Bom, os melhores (se é que pode se dizer que isso é bom) atos de badidagem, ao menos no Brasil, são praticados por caras vestidos de terno!!!

    ResponderExcluir
  6. Críticas a parte o texto ficou muito engraçado!!

    ResponderExcluir
  7. HAHAHAHAHAHAAAHAHAHHAAHHA aaah mas eu teria colocado um cabelo no prato e gritado no meio do restaurante: TEM UM CABELO NO MEU PRAAAAAAATO! ou então aquela de sempre: "olha aquilo ali é uma barata?" apontando para o chão meio que em direção da cozinha!

    ResponderExcluir
  8. e desde quando advogados são confiáveis???

    ResponderExcluir
  9. advogado eh tudo pilantra! garcom tava certo!! hahahahhaha

    ResponderExcluir