sexta-feira, 27 de março de 2009

Segura a Perereca...



A que ponto chega a cara de pau das pessoas?

Faço essa pergunta por que hoje me lembrei de algo que aconteceu comigo nos meus tempos de bancário.

Era uma quarta-feira e faltavam uns 15 minutos para que o banco fechasse e eu pudesse finalmente pegar minha alforria e ir para casa após um longo dia de labuta. E nesse dia em especial eu queria muito ir para casa depressa, pois o céu estava completamente preto, anunciando um verdadeiro temporal. E daí que ia chover? E daí que este que vos escreve ia trabalhar de BICICLETA. Isso mesmo, de bicicleta, um meio saudável e limpo de transporte, mas isso não vem ao caso agora.

Bom, lá estava eu contando os minutos para montar na minha bike e ver se conseguia escapar da tempestade eis que, como sempre acontecia quando o banco estava para fechar, uma manada de gente começa a entrar no banco.

Sentou-se na minha mesa uma senhorinha muito simpática, no auge dos seus 139 anos imagino. Dos males o menor. A vantagem de atender gente idosa é que eles, geralmente, não têm nenhum problema com o banco, vão lá só para conversar mesmo, falar da vida, dos netos, dos encontros amorosos com o “Seu Julio”, aquele velhinho sarado de 87 anos que conheceu no bailinho da melhor idade. Enfim, bastava escutá-los, ser simpático e pronto, eles voltavam para casa felizes.

Com a senhorinha não foi diferente. Ela me contava sobre seu neto que tinha acabado de entrar na faculdade de Direito, sobre como ele era estudioso, como era prestativo e todas essas coisas que as avós imaginam que seus netos sejam (mal sabem elas...). Nas tantas de seu monólogo (eu não falava nada, só escutava) dei uma olhada para o céu para avaliar o quanto eu iria me molhar, e quase como uma resposta sádica de São Pedro neste exato momento cai um raio bem próximo da minha agência fazendo um barulho absurdo.

O barulho do trovão foi tão suntuoso que a senhorinha que estava a minha frente soltou um grito de pavor e desse grito algo mais se soltou... a sua dentadura! Isso mesmo, a perereca da veia, aparentemente mal colada, desgrudou-se do céu da boca e com a ajuda da baba que a envolvia deslizou suavemente até parar bem embaixo da minha mesa, em um vão de uns 20 centímetros que existia entre a minha mesa e o chão. Melhor que isso só se tivesse caído no meu colo.

Ainda assustado com aquela cena no mínimo bisonha a senhoria com toda a tranqüilidade do mundo volta-se para mim e, com aquela boquinha murcha diz: “- Você pode pegar para mim?”

Fiquei sem reação alguma. Velho, ela estava pedindo aquilo mesmo que eu tinha ouvido? Ela queria mesmo que eu pegasse aquele objeto róseo e babado que se encontrava em baixo da minha mesa?

Ela repetiu: “- Filho, você pode pegar pra mim? Caiu ai embaixo da sua mesa.

Sim, eu sei que caiu em baixo da porra da minha mesa! Eu simplesmente não acreditava que ela estava pedindo para que eu pegasse, e pior, não conseguia acreditar que de fato eu teria que pegar! Velho... FODEU!

Momentos de tensão. Eu fiquei ali sentando olhando para a cara dela e tentando imaginar o que fazer diante daquela situação, mas nada me ocorria.

Tomado pelo desespero peguei qualquer pedaço de papel que estava em cima da minha mesa e disse para a senhora: “- Só um minutinho que eu tirar uma cópia desse documento e já volto”. Fui para a máquina de Xerox e deixei a senhorinha lá que ficava acenando desesperadamente para que eu voltasse.

Na máquina de Xerox eu tentava buscar alguma solução para aquele problema enquanto apertava loucamente todos os botões da máquina tentando parecer que estava manuseando-a. Dei uma olhadinha de canto de olho para a senhorinha e percebi que ela estava cada vez mais impaciente e balançava seus braços como um orangotango com coceira no sovaco. Eu não tinha idéia do que fazer!

De repente passa nas minhas costas a minha salvação: O ESTAGIÁRIO!

O chamei e disse: “Brunão, to com um problema aqui! Ta vendo aquela senhorinha ali? Então, ela ta lá desesperada pra ir embora porque não quer pegar chuva e eu estou tendo uns probleminhas aqui com a máquina de Xerox, tem como você pegar um objeto dela que caiu em baixo da minha mesa enquanto eu vou adiantando as coisas por aqui?”

Sim, eu sei que foi sacanagem, mas eu estava desesperado!

Solicito como qualquer bom estagiário ele disse que não haveria problema algum e lá foi ele pegar o “objeto” que se encontrava embaixo da minha mesa.

Nesse momento um sentimento de sadismo começou a ganhar vida dentro de mim. Quando vi que ele estava se agachando e tateando o chão em busca do “objeto” não me contive e comecei a gargalhar sendo obrigado a me virar para não ver a fatídica cena que estava para acontecer!

Alguns instantes depois ele passa novamente nas minhas costas e disse enquanto eu tentava conter o riso: “Velho, você é muito filho da puta!”

A cara de nojo com que ele olhava para mão era impagável. Parecia que sua mão estava se dissolvendo com aquela baba proveniente da perereca.

No fim, a velha foi embora feliz, eu peguei uma chuva proporcional à presepada que tinha feito e o Brunão voltou a falar comigo depois de algumas semanas. Também me fez prometer que nunca contaria isso para ninguém... mal sabe ele que todos os gerentes viram a cena de todos os ângulos nas câmeras de seguranças com direito a zoom na cara dele quando descobriu do que se tratava o “objeto”.

Sim, eu sei que foi mancada, mas como eu disse no início, até onde vai a cara de pau das pessoas!

(p.s.: Brunão, se você estiver lendo isso, saiba que hoje também sou estagiário e que a culpada disso tudo sempre foi e sempre será a senhorinha, se ela tivesse passado Corega nada disso teria acontecido!)

4 comentários:

  1. Essa história!!! Escutei umas três ou quatro vezes, mas ainda morro de rir, kkk.
    Faltou contar o episódio que aconteceu por aqui, devido a isso!!! kkkkk

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  2. Huhauhuhauhauahuhauhauhauhauhauhuahau...
    Está dificil parar de rir!!!!!!!

    Onde está o amor ao próximo HEIN?!?!? XD

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  3. Sem comentários... O coitado do estagiário deve ter tido que frequentar o psicólogo depois disso...
    XUXA

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  4. SERGINHO SEU FDP, MEU DEDO QUASE CAIU COM AQUELA BABA!

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