terça-feira, 7 de abril de 2009

Labirintos Alternativos

Caros leitores (ou convivas, se este for o caso),

atendendo, mais uma vez (segunda), um dos mais sérios objetivos do blog, segue abaixo um texto enviado por um de nossos leitores....

Esta é a primeira vez que escrevo para este humilde, porém estimado blog.

Há tempos tento vos escrever, mas um empecilho sempre aparece. Costumam chamá-lo de preguiça.

Pois bem, o que passo a relatar ocorreu comigo na data de ontem, domingo (ao escrever imaginei o Cid Moreira falando: “Hoje é domiiiingo, é FANTÁSTICO!!!).

Voltando ao assunto, com a finalidade prepíscua que todos entendam o que passei, volto ao “causo” ocorrido. Após a prestimosa aula de ética no sábado de manhã, fui intimado a comparecer em um churrasco na localidade de Taiaçupeba, município de Mogi das Cruzes. Não, eu não fazia a mínima idéia de como chegar lá.

Por sorte, quando estava fazendo compas no Extra da Via Anchieta me deparei com o primo do aniversariante, não precisando me preocupar mais com o caminho do “lugar nenhum”.

Mesmo com um aparelho GPS (Global Posicion System) de última geração, preferí não me arriscar, pois como todos sabemos, nestes lugares longíquos, estradas de terra são frequentemente invadidas e bloqueadas por camponeses que não fazem a mínima idéia de quão importante é o direito de ir e vir.

Cheguei ao local pretendido após uma hora e meia de caravana e o que aconteceu por lá não vem ao caso.

Domingo, 3 horas da tarde. Hora de ir pra casa.

Todos estavam enrolando a beça para ir embora. Não tinha mais nada pra fazer lá e todos, num momento de sobriedade, olhamos uns aos outros e decidimos: Vamos embora, porra!

Todos arrumados, carros prontos e... e... e... o cara que sabia o caminho começou a enrolar. Que merda! Sem pensar, liguei meu GPS e fiquei muito feliz quando ele achou sinal no meio do nada e ainda me perguntou se eu queria fazer o caminho mais curto ou mais rápido. Escolhí o mais rápido.

Como uma criança de 9 anos da Zona Leste que acabara de ganhar um convite para o Play Center na noite do terror, dei um sorrido malígno a todos e disse: “Galera, to vazando... me viro pra voltar!!” Erro número 1

Seguindo as instruções de meu amigo com voz robótica, segui caminho, até mesmo reconhecendo as mais belas construções civis da humanidade (refiro-me a uma casa sem janelas e pintada com um verde Hulk).

Eis que ele me manda entrar no meio de uma estrada de terra. Até então, tudo bem, pois no caminho de vinda enfrentei duas estradas terráqueas (haha). Dirijo por aproximadamente 5 kilometros, quando o senhor GPS me manda pegar uma “esquerda” um tanto quanto suspeita. Eu, mais perdido que cego em tiroteio, sigo as instruções fielmente. Erro número 2

Após 2 minutos a alegria! Uma casa no meio da estrada!!! Sim, no mapa tudo indicava que alí havia uma estrada. Desço do carro humildemente, bato palmas e um senhor de aproximadamente 59 anos me atende. Com um voz e expressão corporal de ébrio habitual diz: “Nossa, que cê quer aqui??” respondo: “A estrada que passa alí atrás da sua casa é a continuação desta que eu estou”? e ele: “ERA!! No começo do ano fiz esse muro. Passava carro demais aqui.”. Pensei: “Nossa, o cara é gente que faz!” Como tinha vindo direto da aula de ética e meu Vade Mecum estava no banco de trás do carro, peguei-o abrí no artigo 5 e lí ao senhor sobre o direito de ir e vir. Em vão. Vendo ser impossível transpor tal obstáculo, preferí perguntar como chegar a Via Anchieta. Como estava mais pra lá do que pra cá, nem falar conseguiu.

Começou aí a minha saga para achar o caminho de volta. Indagava as mais variadas pessoas. De japoneses idosos (provavelmente hortifrutigranjeiros) até crianças da roça. E nada. Respostas como “não sou daqui” e “olha, eu acho que se você seguir nessa picada por mais uns 65 kilometros dá lá” me revoltavam, afinal, o único meio de encontrar a civilização é através da Anchieta. Como poderiam não saber??????

Até que encontro um japonês pilotando (isso mesmo) um trator... parei o carro no meio da estrada para ele parar também e perguntei como fazer pra dar na tal rodovia. Ele desceu, desligou seu possante e deu uma risada do mau! (muah muah)... você está no lugar errado!!

Volte para o asfalto e quando avistar um armazém vire a esquerda. No meio das duas lombadas vire de novo e siga em frente quando ver a escolinha. SENTI FIRMEZA NO NIPÔNICO. Agradecí e me fui.

Tinha plena convicção que após uma hora e vinte minutos rodando como besta encontraria a salvação. Eis que.......................................

Me perdí de novo.

Chorei... Lígia, nobre estudante de direito que ao meu lado estava sentada dava gargalhadas, zombava de minha pessoa e de meu aparelho eletrônico sem utilidade.

Pensei em deixá-la no mesmo local. Afinal, mulheres tem um péssimo senso de humor quando estamos perdidos. Fere a masculinidade e baixa o nível de testosterona.

Bom, já sem esperanças de voltar à minha cidade natal, saí do carro e comecei a gritar: Por que???????????????? Nãoooooooooooooooo!!! (Isso foi mesmo insano) ... comecei até em pensar a comprar um terreninho, fazer um puxadinho e me mudar para o local...

Eis que............ surge um lagarto e me diz: “Dê meia volta e vire na próxima direita.”

Achei estranho um ser como aquele conversar comigo, mas obedecí e me fui...

Após 4 minutos rodando achei uma placa indicando o nome de minha tão sonhada cidade.

Chorei, chorei e chorei mais um pouco...

Lígia, a já dita ocupante do banco do passageiro fez uma cara de “ah, tava tão legal vê-lo desesperado.....”.

Ufa, só pensava em ufa.

Após 2 horas e cinquenta minutos rodando como besta cheguei em casa. Parecia que tinha ido e voltado ao Rio de Janeiro sem parar....

O que ficou de lição pra mim nesse dia é: “se você acha que seus direitos constitucionais estão assegurados mesmo em uma longíqua estrada de terra, esqueça, pois um camponês que nunca leu nossa Carta Magna pode ter construído um muro de arrimo no meio da porra da estrada, fodendo a tudo e a todos.”

E tenho dito.

Texto de autoria de de meu caro colega Felipe Malentachi, vulgo Chapolas, vulgo superativo...

Um comentário:

  1. huuuumm o chapolin ta namorandinho!
    AHUEHAUEHAUEHAUHE

    ok, não consegui pensar em comentario mais indelicado que esse!
    =P


    chapolas, só vc viu!

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