segunda-feira, 6 de abril de 2009

Os pequenos gestos da vida...

Era uma sexta-feira e, após um longo dia de trabalho, finalmente chegou a hora de ir para casa e descansar uns poucos minutos antes de ir para a faculdade.

Entrei em meu humilde carro e tomei o rumo para minha casa. O caminho que faço para ir para casa é basicamente composto por duas grandes avenidas e ao chegar na primeira notei que o trânsito já estava um pouco acima do normal. Pensei: “Bom, se aqui já esta assim mais pra frente deve estar ainda mais parado!”

Logo, sem pensar duas vezes, resolvi ir por um caminho alternativo que embora fosse mais longo, deveria estar com o trânsito melhor.

Deveria...

O maldito caminho alternativo estava ainda mais infernal. Carro parados por todos os lados, muitos deles guiados por seres de inteligência igual ou superior à de um amendoim que insistiam em ficar apertando a porra da buzina como se isso fosse, milagrosamente, fazer o trânsito desaparecer!

Ótimo, lá estava eu parado naquele trânsito infernal, sob um sol mais quente que as bolas do capeta e sem nenhuma perspectiva de chegar em casa a tempo de ao menos comer alguma coisa. O stress estava ficando tão elevado que nem os CDs de New Age que escuto para me acalmar estavam surtindo mais efeito...

Buscando me distrair um pouco para tentar relaxar começo a observar os carros ao meu redor e nisso constato que à minha frente encontra-se uma perua escolar e, dentro dela, um pequeno ser me observa.

Era um menino que devia ter uns 6 ou 7 anos, com olhos grandes e brilhantes devidamente instalados em sua cabeça enorme. Ele me olhava de forma serena, totalmente indiferente ao caos que se dava a sua volta.

De repente, o pequeno ser levemente levanta sua mão e estende seu polegar, fazendo um sinal de “jóia” para mim.

Na hora fiquei sem reação. Eu jamais poderia imaginar um gesto tão bonito e afetivo era diante de um quadro tão assolador quanto aquele em que eu me encontrava. As pessoas ainda tinham a capacidade de ser gentis por mais que a situação fosse ruim. O mundo ainda tinha solução.

Nessa hora, minha cara fechada deu lugar a um leve sorriso e, retribuindo a gentileza, também fiz “jóia” para o pequeno gnomo à frente.

Entretanto, nessa mesma hora o rapazinho, ao ver que retribui o sinal, virou sua mão para baixo (igual os imperadores faziam no coliseu quando não gostavam do desempenho do gladiador que lá se encontrava decidindo, então, que deviam morrer). E, junto com seu “jóia para baixo” aquele filho do satã botou sua pequena língua rósea para fora, a qual balançava feito uma cobra.

Filho de uma puta!

Fiquei encarando o maldito com uma cara de reprovação para ver se ele parava, mas quanto mais eu fechava minha cara mais o desgraçadinho fazia caretas.

Vendo que não teria jeito resolvi tomar uma atitude. Comecei a sorrir levemente e bem devagar levantei minha mão e estendi meu dedo do meio para o fedelho. Sim, mostrei o dedo do meio e comecei a retribuir as caretas.

Tal gesto parece ter instigado ainda mais o “filho do chuck” que por sua vez retribui as caretas, agora com mais ênfase.

Nesse mesmo momento, ergui meu outro dedo do meio e, inconformado com tamanha falta de educação, comecei a gritar de dentro do carro:

“- Veadinho! ...Seu bostinha!... Seu pai é veado!... Sua mãe é puta...”

O moleque fez uma cara de espanto, colocou suas mãos na boca e ficou com aquela cara de “ele falou palavrão...”. Nessa mesma o trânsito andou um pouco e a perua entrou em uma rua, saindo da minha frente.

Eu ganhei a batalha! Sim, deixei a reencarnação “do belzebu” sem ação!

O trânsito parou novamente, porém agora eu ostentava um belo sorriso em minha face por ter ganhado do pivete. Quando me viro para o lado observo uma senhora, aparentando uns 60 e poucos anos, balançando sua cabeça de um lado para o outro com um ar reprovador como quem diz: “- Desse tamanho e mostrando o dedo para uma criança... tisc tisc”.

Sim, a velha viu tudo. Porra, mais foi o veadinho que começou! Ele que me provocou! Aquele era o dia de pegar no meu pé? Primeiro o pivete e agora a velha?!

Assim que o trânsito andou novamente não tive dúvidas, abri a janela do carro, dei uma buzinadinha e quando a velha olhou para mim estendi meus dois dedos do meio para ela que ficou com uma cara de espanto semelhante à do menino.

Entrei em um retorno a frente e observei pelo retrovisor a velhinha que certamente estava proferindo palavras não muito bonitas.

Ganhei da sexagenária também!

Nesse dia cheguei em casa tranqüilo e aliviado, como se não tivesse pego trânsito algum...

Logo, se você esta estressado experimente mostrar o dedo do meio para alguém. Você certamente irá se sentir mais leve.

São esses pequenos gestos que fazem da nossa vida mais feliz!

2 comentários:

  1. HAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAH

    eu to chorando de rir!
    juro...

    ResponderExcluir
  2. Serginho;
    Você é unico! Me faz chorar de rir toda vez que conta suas histórias.

    ResponderExcluir