sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sem pé e sem cabeça... seríamos atores sem papel?

Caros Leitores (ou convivas, se este for o caso),

Um dia desses uma pessoa me falou sobre eras da humanidade; há muito tempo a humanidade vivia na era do “ser”, depois veio a era do “ter”, mas o mais interessante é pensar que hoje estamos na era do “parecer”, o que vai de encontro com aquela história do Carnaval Social (Eu sei... isso é muito idiota)...

Me aproveitando dessa ligação e de alguns outros acontecimentos da semana passada, resolvi postar alguma coisa que tratasse diretamente de tal tema.

Vamos engasgar um pouco de filosofia...

As pessoas se fantasiam, perdem sua identidade (até mesmo quando se dizem espontâneas estão interpretando), agem de forma diferente com cada pessoa que cerca o ambiente, explodem em contradições; enfim, elas simplesmente “parecem”...

Pois bem...

Na quarta-feira da semana passada acabei saindo um pouquinho mais tarde da empresa em que trabalho, assim, eu e um amigo resolvemos tomar uma cerveja de leve, aguardar o clímax do momento “horário de pico” passar e não enfrentar a explosão demográfica no transporte público que assola nossas vidas nessa hora do dia.

Fato é que entrei no trem num horário em que o movimento estava extasiado de tranqüilidade; ÓTIMO!!

Antes da partida da famosa taturana elétrica entram no vagão, em que este viajante diário que vos escreve estava localizado, 3 pessoas... Um hippie com uma série de brincos pendurados num painel (obviamente que estes estavam destinados à venda), sua mulher (Hippie) e seu filhinho (Um mini-hippie)...

Sei lá... me via estampado num dia altamente estressante e ver aqueles hippies de certo modo me passou alguma tranqüilidade; A moça Hippie sentou no chão com seu filhinho e começou a brincar com o menino... Uma brincadeira de bater palmas... Nunca sei o nome dessas brincadeiras...

Foi então que me recordei que o mundo ainda tinha pessoas que não estavam embutidas nessa nossa falta de realidade vigente... que alguns ainda escapam desse maldito jogo de interesses; e que com certeza eram felizes por isso... não precisavam demonstrar nada para ninguém, só estavam ali, fazendo uma viagem em família, regada de simplicidade e sem preocupações... o dinheiro definitivamente não parecia importar... e o que as pessoas achavam daquilo, menos ainda.

Chega até a ser tosco... todos que estavam ao redor pararam de fazer o que estavam fazendo e passaram a olhar aquela cena, a mãe e o filho brincando de palminhas, como se tivessem percebido que não era preciso de tanto no que concerne ao material para dançar de alegria...

Irônico...

Quem é feliz nessa porra de mundo com tão pouco?

Não me venham com essa! O ser humano sempre quer mais, isso é natural... a ganância chuta a cabeça da simplicidade, somos assim...

No meio da brincadeira barulhenta de palmas, a Sra. Hippie tira de sua bolsa um maço de cigarros (não.. ela não vai acender um cigarro dentro do trem; tenham calma!!!), dentro do maço apenas bilhetes de loteria (Se ela tivesse tirado uma bola de capotão daquilo eu ficaria menos surpreso)...

A primeira coisa que veio na minha cabeça foi a possível utilização de bilhetes de loteria (por que é um papel que lembra seda – sabe, aqueles de máquina registradora??) para a produção em massa de baseados... Vamos admitir, isso era extremamente possível...

Fato é que a Hippie começou a tirar bilhetes e mais bilhetes daquele maço de cigarros a ponto de eu pensar que ela tinha uma máquina registradora dentro daquela porcaria (ou que era algum tipo de líder de produção de baseados no Estado de São Paulo); após procurar ela achou o que queria e separou o resto (inutilizável) para o início de uma nova brincadeira, esta que consistia em recorte de bilhetes de loteria.

A parte utilizável se referia a 3 bilhetes de loteria da qual ela aguardava o sorteio.

Cuidadosamente ela dobrou os três bilhetes e os guardou no bolso de sua jaqueta, de forma a garantir que os referidos não sofreriam nenhum tipo de dano, a ponto de prejudicar seus valores materiais e até sentimentais (era nítido o sentimento de preciosidade com aqueles papéis amarelos)... Juro que me lembrei do Smeagle do Senhor dos Anéis suspirando: “My precious!!”.

Não tenho idéia do que vocês pensam, mas nada me convence de que aqueles HIPPIES não eram propriamente HIPPIES... (será que ainda existem Hippies?!?) - não que eu seja do tipo que segue alguma vertente, mas também não sou preconceituoso; me considerem neutro, ok?... Isso é só uma sátira idiota.

Comparo este comportamento ao de qualquer macaco (sim, não passamos de uma espécie um pouco mais avançada) altamente capitalista que supervaloriza o dinheiro, como se o mesmo fosse a razão de viver (e garanto que estes são mais verdadeiros que aqueles Hippies).

É o mesmo comportamento...

Quando não somos macacos capitalistas, somos falsos idealistas, socialistas, narcisistas, Hippies, burros, ou qualquer coisa do tipo, mas a trama de cada um é sempre a mesma... Parecer alguma coisa para que as pessoas pensem alguma coisa... Não existe mais a essência do ser (Nossa.. que filosófico.. pareço Rousseau dizendo algo sobre o modernismo...)

Aí sempre me aparecem aqueles moralistas sacanas me dizendo: “Não, veja bem... vai ver que eles só querem a grana para levar de vez uma vida ao melhor estilo Hippie, mudando para um lugar onde não tenham com o que se preocupar e que possam viver num lar cheio de “amor e paz”.

Faço cara de reticências e retruco:

“Numa boa, que morem no mato!”

Olha... Cera feita me contaram uma história sobre uma suposta gangue de marcianos que saqueava estoques de mercearias vagabundas para roubar uvas provenientes do esgoto.

Foi mais fácil que acreditar nessa historinha sem vergonha...

Admitam...

Somos nós mesmos apenas quando estamos sozinhos e perdidos em pensamentos que no remetem a nada.

Um abraço.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Observem os pães voando e abracem o seu!

Caros leitores (ou convivas, se este for o caso),

No último sábado resolvi comparecer a um evento peculiar na capital paulista:

"A VIRADA CULTURAL"

Sim... abandonei o aconchego de meu lar (mais especificamente do sofá) a fim de assistir a uma maratona de apresentações que duraria algo em torno de 24 horas...

Saí de casa consciente e convencido do que veria: Tempestades de cadeiras e de latas de cerveja (que me fariam lembrar a Revolução paulista de 1932), provenientes de freqüentes brigas e confusões causadas por bêbados descontrolados, tendo como causa motivos tão relevantes quanto um coador de café; e claro, como não poderia deixar de ser, tinha a absoluta certeza de que seria assaltado pelo menos 4 vezes, chegando em casa trajando apenas um dos pés do par de minha clássica sandália franciscana, uma cueca branca sem costura e suja de terra, e uma manta de estopa, cinza, urinada e imunda, doada por algum mendigo solidário.

Admito que me enganei...

Lógico que alguns pontos devem melhorar, como a distribuição dos banheiros químicos (toda vez que decidia usar o banheiro tinha que andar até a Virada Cultural de Guadalupe - MEX), até para evitar que as pessoas expilam suas secreções e dejetos corporais na rua.

Ah... seria bom se dessem um trato nos tais banheiros, pelo menos seis vezes nessas 24 horas... Incrível a criatividade das pessoas quando o assunto é ver quem faz a coisa mais nojenta, não acreditei quando vi fezes no teto do cubo grudadas ao lado de um copo de plástico (isso mesmo... não me perguntem com o que grudaram a porra do copo) Impressionante!!! (mas isso é uma crítica ao povo e não à organização do evento).

Outro ponto que merece atenção, ainda relacionado com higiene, é o incentivo à precariedade e à falta de educação do povo; DEUS! não custa fornecer sacolinhas ecologicamente corretas para que as pessoas joguem seus lixos... Não é uma coisa muito agradável estar ouvindo uma boa música pisando no marmitex de isopor de alguém que resolveu almoçar lasanha e jogou o recipiente ainda com comida no chão (aprendi que nunca mais vou a eventos desse porte com alguma coisa parecida com um chinelo) ou em garrafas de plástico de vinho, que quando pisadas espirram aquele restinho quente do fundo da garrafa, sujando nossas calças...

Mas no geral a virada foi ótima...

Uma coisa me incomodou de verdade, a ponto de sentir uma espetada tão insuportável nas costas que me sinto na obrigação de me expressar: "A pura e real política do pão e circo".

Em dado momento do evento, quando pensei nisso, me senti na antiga Roma, assistindo gladiadores no coliseu, ansioso por abraçar meu pedaço de pão (na época lançado à platéia que lotava o estádio romano). Que coisa desagradável...

O mais engraçado é pensar que dar um mínimo de diversão ao povo (juro!! o mínimo) é o suficiente para que este se sinta mais do que satisfeito com o que tem... entreter para colher votos; quando ouvia isso no ginásio pensava que era baboseira da mais estúpida... Burro era eu!

Pão e Circo = Show e pinga = Futebol e cerveja = Fato

O que quero dizer, simplesmente, não é que as pessoas deixam de reclamar (Isso é o que elas mais gostam de fazer, inclusive eu) de sua situação perante a sociedade quando estão alimentadas destes itens, quero dizer que somente deixam de tentar melhorar sua situação... Elas tem tudo que precisam, algo para “meter o pau”, cerveja para se embriagar e algo para entretê-las, que é o que oferecido naquele determinado dia...

Não estou dizendo que não temos que gostar desse tipo de coisa ou que não possamos nos divertir.... só que não devemos cair na lama de acreditar que isso é tudo na vida. Grande parte das pessoas fazem isso. Só ver as torcidas organizadas que brigam como hienas raivosas, por futebol... para alguns, o time de futebol é tudo; os caras vivem numa miséria desgraçada e deixam de comer para ir ao estádio! Podem ganhar 5 reais por dia, mas tomam ao menos duas latinhas pela noite... Está na cultura da maioria..

Somos criados com aquela etiqueta: "O Brasil é o país do futebol"

Brilhante!!!

Manipulados desde que somos pequenas criancinhas de cabeça gigante; E tem aquela outra: “O Brasil é o país do samba”... Foda-se!!

Ouvimos tanto isso, que mesmo que não fôssemos (estou sendo sarcástico) pensaríamos que somos... É importante manter o povo na ignorância para que ele não dê muito trabalho no futuro;

“Vamos dar a eles o que eles querem ver, o que eles gostam; algo que não os faça pensar demais, que não possa causar-nos dor de cabeça. Dispensamos a relevância da informação; o importante é lhes fornecer diversão.”