Caros Leitores (ou convivas, se este for o caso),
Um dia desses uma pessoa me falou sobre eras da humanidade; há muito tempo a humanidade vivia na era do “ser”, depois veio a era do “ter”, mas o mais interessante é pensar que hoje estamos na era do “parecer”, o que vai de encontro com aquela história do Carnaval Social (Eu sei... isso é muito idiota)...
Me aproveitando dessa ligação e de alguns outros acontecimentos da semana passada, resolvi postar alguma coisa que tratasse diretamente de tal tema.
Vamos engasgar um pouco de filosofia...
As pessoas se fantasiam, perdem sua identidade (até mesmo quando se dizem espontâneas estão interpretando), agem de forma diferente com cada pessoa que cerca o ambiente, explodem em contradições; enfim, elas simplesmente “parecem”...
Pois bem...
Na quarta-feira da semana passada acabei saindo um pouquinho mais tarde da empresa em que trabalho, assim, eu e um amigo resolvemos tomar uma cerveja de leve, aguardar o clímax do momento “horário de pico” passar e não enfrentar a explosão demográfica no transporte público que assola nossas vidas nessa hora do dia.
Fato é que entrei no trem num horário em que o movimento estava extasiado de tranqüilidade; ÓTIMO!!
Antes da partida da famosa taturana elétrica entram no vagão, em que este viajante diário que vos escreve estava localizado, 3 pessoas... Um hippie com uma série de brincos pendurados num painel (obviamente que estes estavam destinados à venda), sua mulher (Hippie) e seu filhinho (Um mini-hippie)...
Sei lá... me via estampado num dia altamente estressante e ver aqueles hippies de certo modo me passou alguma tranqüilidade; A moça Hippie sentou no chão com seu filhinho e começou a brincar com o menino... Uma brincadeira de bater palmas... Nunca sei o nome dessas brincadeiras...
Foi então que me recordei que o mundo ainda tinha pessoas que não estavam embutidas nessa nossa falta de realidade vigente... que alguns ainda escapam desse maldito jogo de interesses; e que com certeza eram felizes por isso... não precisavam demonstrar nada para ninguém, só estavam ali, fazendo uma viagem em família, regada de simplicidade e sem preocupações... o dinheiro definitivamente não parecia importar... e o que as pessoas achavam daquilo, menos ainda.
Chega até a ser tosco... todos que estavam ao redor pararam de fazer o que estavam fazendo e passaram a olhar aquela cena, a mãe e o filho brincando de palminhas, como se tivessem percebido que não era preciso de tanto no que concerne ao material para dançar de alegria...
Irônico...
Quem é feliz nessa porra de mundo com tão pouco?
Não me venham com essa! O ser humano sempre quer mais, isso é natural... a ganância chuta a cabeça da simplicidade, somos assim...
No meio da brincadeira barulhenta de palmas, a Sra. Hippie tira de sua bolsa um maço de cigarros (não.. ela não vai acender um cigarro dentro do trem; tenham calma!!!), dentro do maço apenas bilhetes de loteria (Se ela tivesse tirado uma bola de capotão daquilo eu ficaria menos surpreso)...
A primeira coisa que veio na minha cabeça foi a possível utilização de bilhetes de loteria (por que é um papel que lembra seda – sabe, aqueles de máquina registradora??) para a produção em massa de baseados... Vamos admitir, isso era extremamente possível...
Fato é que a Hippie começou a tirar bilhetes e mais bilhetes daquele maço de cigarros a ponto de eu pensar que ela tinha uma máquina registradora dentro daquela porcaria (ou que era algum tipo de líder de produção de baseados no Estado de São Paulo); após procurar ela achou o que queria e separou o resto (inutilizável) para o início de uma nova brincadeira, esta que consistia em recorte de bilhetes de loteria.
A parte utilizável se referia a 3 bilhetes de loteria da qual ela aguardava o sorteio.
Cuidadosamente ela dobrou os três bilhetes e os guardou no bolso de sua jaqueta, de forma a garantir que os referidos não sofreriam nenhum tipo de dano, a ponto de prejudicar seus valores materiais e até sentimentais (era nítido o sentimento de preciosidade com aqueles papéis amarelos)... Juro que me lembrei do Smeagle do Senhor dos Anéis suspirando: “My precious!!”.
Não tenho idéia do que vocês pensam, mas nada me convence de que aqueles HIPPIES não eram propriamente HIPPIES... (será que ainda existem Hippies?!?) - não que eu seja do tipo que segue alguma vertente, mas também não sou preconceituoso; me considerem neutro, ok?... Isso é só uma sátira idiota.
Comparo este comportamento ao de qualquer macaco (sim, não passamos de uma espécie um pouco mais avançada) altamente capitalista que supervaloriza o dinheiro, como se o mesmo fosse a razão de viver (e garanto que estes são mais verdadeiros que aqueles Hippies).
É o mesmo comportamento...
Quando não somos macacos capitalistas, somos falsos idealistas, socialistas, narcisistas, Hippies, burros, ou qualquer coisa do tipo, mas a trama de cada um é sempre a mesma... Parecer alguma coisa para que as pessoas pensem alguma coisa... Não existe mais a essência do ser (Nossa.. que filosófico.. pareço Rousseau dizendo algo sobre o modernismo...)
Aí sempre me aparecem aqueles moralistas sacanas me dizendo: “Não, veja bem... vai ver que eles só querem a grana para levar de vez uma vida ao melhor estilo Hippie, mudando para um lugar onde não tenham com o que se preocupar e que possam viver num lar cheio de “amor e paz”.
Faço cara de reticências e retruco:
“Numa boa, que morem no mato!”
Olha... Cera feita me contaram uma história sobre uma suposta gangue de marcianos que saqueava estoques de mercearias vagabundas para roubar uvas provenientes do esgoto.
Foi mais fácil que acreditar nessa historinha sem vergonha...
Admitam...
Somos nós mesmos apenas quando estamos sozinhos e perdidos em pensamentos que no remetem a nada.
Um abraço.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
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è
ResponderExcluiristo mesmo..
é dificel para para pensar..
qdo paramos..
mamy...
Xuxa,
ResponderExcluirAcho que foi o melhor texto seu que eu já li até hoje! Não que os outros sejam ruins, longe disso, mas esse ficou profissional... o tom dele estava perfeito!
Parabéns mesmo!
Isso só reforça a idéia de que temos que expandir e dar à todos a chance de ler textos tão bons quanto este.
Chegando na faculdade pego um altografo seu, pode ser!? auhauh
Abraços e, novamente, parabéns!
Olha tenho que concordar com o cara aí de cima. Você sabe que eu sempre leio isso, mas quase nunca comento. Mas esse foi com certeza o melhor texto desse blog.
ResponderExcluirBom eu assino embaixo de tudo que vc disse. Eu me considero um cara realista. Não tento fugir e nem enganar ninguém ao admitir que conheço as regras do jogo e jogo de acordo com elas. Podem me chamar do que for, mas melhor ser assim assumido do que esses falsos revolucionários que querem mudar o mundo, mas com o cartão de créditos dos pais e um apartamento em pinheiros no bolso. Assim é fácil ser revolucionário...quero ver largar mão de toda essa mordomia e ir lutar pela mudança das regras. Aí sim, eu tiro o chapéu, bato palmas e permito que me critiquem como um porco chauvinista e capitalista...
Victor
A sociedade das aparências se resume em duas necessidades opostas e ao mesmo tempo complementares do indivíduo: a individualização e coletivização. E desde quando o sistema capitalista deixou de ser meramente um sistema econômico e institucionalizou-se enquanto sociedade, a sociedade de consumo, fazer parte de um coletivo maior significa TER. E por isso que toda a ideologia representada neste estilo (Hippie) voga - por significar apenas a construção de uma identidade pessoal (levando em conta que identidade não é o que somos em essência e sim a maneira como queremos que as pessoas nos identifiquem), sua validade é puramente representativa.
ResponderExcluirEssa necessidade de construir uma identidade sim, é o verdadeiro carnaval social e é regulada pelo desejo de pertencimento (TER), e por isso tropeçamos nessa nossa inconsistência em SER.
NÓS TODOS nos deparamos com atitudes e pensamentos contraditórios, eles convivem conosco no dia-a-dia nos hábitos impensados, dentro da nossa própria casa.
Porque não somos porra nenhuma, ficamos escolhendo (através do poder de consumo) o que ser, e ficamos nos “costumizando”, e contradizendo a essência na aparência.
gosto muito
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