Caros Leitores (ou convivas, se este for o caso),
Peço desculpas em demorar tanto para postar algo novo; fato é que minha vida anda uma loucura e não ando encontrando muito tempo para criar paciência para escrever alguma coisa; outra coisa que adiou ainda mais um novo post foi um bloqueio que criei para não falar do que vou falar hoje, mesmo assim vou falar...
É um assunto polêmico demais para mim... Certamente não me cabe fazer qualquer julgamento sobre qualquer coisa, ainda mais que não vivo o que estudantes, professores e funcionários da USP vivem todos os dias, mas venho acompanhando diversos sites de notícias há semanas e li muito, muito mesmo, sobre esta e outras greves na USP.
Quer saber? Abaixo está minha opinião sobre essa greve... estou de fora, mas posso opinar, afinal sou cidadão, correto?
E outra coisa... sempre tem aqueles revoltados que vão querer me mandar para a PQP... Eu, sinceramente, não estou nem aí... Não sou nenhum tipo de político e não preciso que gostem de mim, nem que achem tudo o que escrevo lindo...
Bom, vamos lá....
Como todos sabem a USP está em greve de novo...
Ontem tivemos uma passeata na Avenida Paulista com a seguinte chamada: “Fora Suely – DEMOCRACIA JÁ!”
Sabe o que me deixa chateado? Será que as pessoas realmente pensam que vivemos em uma ditadura, ou será que elas apenas querem passar essa impressão para outras pessoas (com opinião menos formada)?
Quanto à greve...
As reivindicações começaram com os funcionários (em greve desde o dia 5 de maio), que pleiteiam reajuste salarial (17%), além de uma “bonificação” de R$ 200,00 por mês (não entendi); pleiteiam, ainda, a readmissão de um funcionário que é líder sindical (inclusive li uma reportagem desse cara... Meu Deus!!! O cara é a favor da revolta armada – Ele deve achar que é o Fidel nos tempos de revolução...)
Olha... eu realmente acredito que os pleitos dos grevistas estão sobrevoando a realidade do país, entretanto, prometi a mim mesmo que não ia entrar nesse mérito, mas sim no ponto estrutural desse “comboio sem sentido”.
Antes de tudo gostaria de expressar um breve sentimento meu sobre funcionários públicos...
As pessoas que prestam concurso público devem realmente pensar no que estão fazendo. É dinheiro público, porra!!! Quem se prejudica no final é o povo, não são nem os alunos (neste caso), não é mesmo? Isso me faz pensar que essas pessoas não podem reclamar de políticos que não fazem nada pela população... o objetivo das ações é o mesmo. A maior verdade é que quase ninguém está realmente interessado em trabalhar pela sociedade, somente em se aproveitar dos benefícios de um cargo público, que cá entre nós, são muitos.
Realidade é que a greve foi evoluindo a tal ponto que a reitora entrou com uma ação judicial, conseguiu uma decisão favorável e a PM entrou no Campus, visando garantir que os funcionários não tomassem posse da reitoria (nada mais justo, afinal chegaram até a quebrar vidraças do prédio) e que o direito de quem quisesse entrar e sair da Cidade Universitária fosse preservado.
Alguns professores não gostaram da idéia da entrada da PM no campus (FFLCH – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - principalmente) e resolveram entrar em greve também (Sim, somente alguns; acredito que os outros tenham percebido o cunho estupidamente político do movimento)...
Os grevistas querem negociar e a reitora diz que só volta às negociações com o fim dos piquetes... Como ne um nem outro cede a PM continua no Campus.
Quero deixar claro que não sou a favor da permanência da PM na Cidade Universitária, entretanto, às vezes o Estado tem que se impor de alguma forma, ainda mais diante de uma decisão judicial. Certos direitos devem ser garantidos... a porcaria da Constituição existe para que? Só para garantir o direito de greve?
Virou festa...
Alunos (em número suficiente para que eu possa criticá-los), Professores e Funcionários...
Quanto aos alunos, acho até que parte das suas reivindicações está correta (contra o ensino à distância – isso é uma coisa que tem fundamento, mas também tem contra-argumentos, é uma matéria de discussão), entretanto, boa parte delas não faz sentido algum (saída da PM do Campus – agora não dá)...
E só por que a PM está no Campus os líderes já enfiam na cabeça dos mais fracos que vivemos num Brasil tranparente de ditadura (Certas coisas... às vezes me irrito com a ignorância das pessoas, não que eu não seja ignorante, mas não faço nada sem pensar...).
Outro ponto de debate colocado pelos alunos é o Livre Acesso à Universidade e o fim do “filtro social” que a Universidade Pública impõe... De acordo com eles a Universidade Pública tem que se expandir (concordo), mas vamos colocar algumas coisas em ordem, ok? Da onde viria o dinheiro para isso? Com a venda de maçãs do amor em algum evento de caridade?
Não sejamos hipócritas... O Governo de São Paulo entregou um campus (USP Leste) há cinco anos. Essas coisas levam tempo, não se faz um campus do dia para a noite. Prova de que ao menos se preocupam com o ensino superior é que a USP é a melhor da América Latina e o esse posto vai ser mantido por muito tempo, podem ter certeza.
O orçamento é grande, mas os gastos também são...
Cada aluno custa em média R$ 4.000,00 por mês para o Estado e a grande maioria tem condições de arcar com parte do custo, a idéia de fazer greve parece racional agora? Desculpem, mas isso não entra na minha cabeça... Isso é jogar dinheiro público no vaso sanitário...
Devíamos seguir o modelo adotado por países que não tem esse “filtro social” tão contestado pelos alunos... A escola pública de nível superior, tanto nos EUA como na Europa é paga. Acredito que no Brasil devessem existir apenas algumas adaptações quanto a isso, tendo em vista que somos um país em desenvolvimento, tanto cultural (e isso inclui educação) quanto econômico; uma dessas adaptações diria respeito ao valor pago por cada aluno, devendo este variar de acordo com a renda de cada um (se bem que tenho certeza que alguns dariam um jeito de apresentar um comprovante de renda falso).
Aí vão me falar... “Ah, mas veja bem, nossa carga tributária é muito maior que a desses países, pagamos muitos tributos e temos direito às coisas...”
ÓTIMO!!! O pensamento não está errado, entretanto, não pagamos só tributos estaduais, pagamos tributos federais e municipais...
Porque não fazemos greve na Universidade Federal? Poderíamos fazer as mesmas reivindicações que fazemos ao governador Serra ao presidente Lula... Não estamos interessados num ensino superior público de qualidade?
Acredito que seja por que os “comuns revoltosos” estariam se atracando com gente de seu partido, e aí qual seria o sentido político disso, não é mesmo?
A greve não passa de uma disputa de poder político pré-eleição.
A verdade é que se os grevistas estivessem tão preocupados com o ensino público de qualidade reivindicariam pela estrutura educacional (Ensino Fundamental) não como um dos itens sem importância de uma pauta subjetiva e negativamente persuasiva, mas como item principal de um movimento digno de pessoas que são consideradas e se consideram “Os pensadores do país”...
E as "Marias vão com as outras" (que não tem consciência da disputa política) no final estão preocupadas com o próprio rabo... algo do tipo: “Ah...Essas mudanças vão me afetar, vamos fazer uma revolta...”
Outra coisa que me deixa com dor de cabeça...
Qual seria a vantagem que a Polícia Militar teria em causar um confronto com os alunos da USP?
Nenhuma!!!
Para alunos e funcionários sim... esses teriam muito interesse nesse confronto... Chamar a atenção da mídia e aumentar a visibilidade do protesto.
Acompanhei diariamente durante dias a greve e certa vez os alunos estavam “armados com rosas”, para mostrar que a manifestação era pacífica e que a PM não precisava estar lá...
Por favor... vamos parar de achar que estamos vivendo sob o comando de Geisel...
No dia em que realmente estourou o conflito li em diversos sites de notícia que os alunos estavam provocando a polícia e que haviam começado a “guerra” atirando garrafas...
Sabe, quando falo desse assunto e tento escrever sobre ele lembro do que um bom amigo meu me disse uma vez, que certas coisas são tão idiotas e sem ideologia que temos dificuldade de explicar...
Minha vontade era colocar o título nesse post e usar como texto um ponto de interrogação.
Obs: Até o amanhã postarei os panfletos distribuídos na grave por um político do PSOL...
Um abraço.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
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